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Plonq

English version below.
Faz um tempo que encontrei por acaso um joguinho chamado Qonk. Simples, pequeno, mas criativo. Exige estratégia e rapidez. Basicamente, o objetivo é conquistar um sistema solar, eliminando os concorrentes, conquistando outros planetas, e usando as naves espaciais produzidas por esses planetas para conquistar outros.
Também faz um tempo que conheci a linguagem Lua. Simples, pequena, mas criativa e bem flexível. E para conhecer melhor a linguagem e brincar um pouquinho com ela, instalei uma variante da mesma no meu Palm Tungsten: Plua. Como a melhor forma de aprender uma linguagem de programação é escrever um programa nela, resolvi tentar fazer um joguinho: um pequeno clone do Qonk. O jogo ainda não está completo mas já está funcional. Coloquei o jogo e o código fonte aqui:
Plonq


Some time ago I found a little game called Qonk. Simple but creative, it requires strategy and quick thinking. Basically, the goal is to conquest a solar system, eliminating the adversaries, conquering more planets, and using the spaceships produced by those planets to conquer others.
Some time ago, I also knew the Lua language. Simple, small, but creative and flexible. And in order to know it better, I installed a variant of it in my Plam Tungsten: Plua. Since the better way to learn a new programming language is to write a program in it, I decided to try making a little game: a Qonk clone. The game isn’t complete yet but already works. I’ve uploaded the game and its source code here:
Plonq

Pac-man, o filme

Pac-man ao vivo.Vão fazer um filme baseado no jogo de Pac-man.
Sem sacanagem. É sério.
Vão fazer um FILME sobre o PAC-MAN.
Não, não é primeiro de abril. Clique aqui e leia a notícia, original em inglês.
E depois de ficar estupefato por alguns minutos, tente pensar comigo que raio de roteiro um filme desses poderia ter. Um personagem redondinho, correndo em um labirinto escuro, engolindo pílulas atrás de pílulas e assombrado por fantasmas. Infantil? Terror? Comédia? Trash? Nenhuma das anteriores? Meu Deus.
Isso me lembra um comentário que vi no Slashdot.org uns dez anos atrás, em uma discussão sobre a influência dos videogames no comportamento dos jovens (principalmente no tocante à influenciar a violência): um camarada argumentou que, se os videogames influenciassem os jovens, eles estariam “andando por aí em salas escuras, ouvindo música eletrônica repetitiva e chata, e engolindo pílulas” (obviamente se referindo ao jogo de Pac-man). Imediatamente alguém respondeu: “isso aí não é uma rave?”
Até onde eu saiba, o Uwe Boll não está envolvido no projeto.

Código fonte disponível é coisa antiga

Ao ouvir hoje em dias os termos “software livre” e “código aberto”, geralmente se pensa que são idéias recentes, de apenas alguns anos atrás, e para muitos trata-se apenas de uma “moda passageira” ou apenas mais “buzzwords”, coisa que não seria novidade no ramo da informática. Os mais desavisados provavelmente vão pensar que isto é uma moda que se iniciou no fim dos anos 90. Os ainda mais desavisados devem achar que é uma moda de “um pessoal aí” sobre “esse negócio de todos os programas serem de graça”. Mas não é de conceitos mal compreendidos que eu queria falar ainda – é da idade dessas idéias. A origem disso está mais distante que os anos 90.
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Your files, TRON and text adventures

English version below.
Gruta de Maquiné - MSX
Já jogou adventures de texto? Foram alguns dos primeiros jogos a surgirem nos computadores, e mesmo com a evolução das capacidades gráficas dos computadores, os adventures continuaram a ser jogados, ora mistos de texto e gráficos ora apenas gráficos.
Para quem não sabe o que é: adventures de texto eram jogos aonde você, o jogador, interagia com o jogo digitando comandos. Algo mais ou menos assim: imagine que seu personagem no jogo estava em uma sala, o jogo te daria uma mensagem do tipo:

Você está em uma sala verde. Tem uma mesa no centro da sala com um vaso em cima. Há uma porta para o norte e um corredor para o leste.

Deste ponto em diante, você poderia digitar o comando leste, que faria seu personagem andar pelo corredor, entrar em um novo ambiente e novamente o jogo iria imprimir a descrição desse ambiente na tela. Também seria possível interagir com os objetos dos ambientes, com comandos como pegue faca, abra porta, ou coloque vaso no pedestal. E assim podia-se viver aventuras que iam desde mundos de fantasia ou ficção científica até estórias de terror e ação.
Com o avançar da tecnologia, estes jogos ganharam imagens, e aos poucos foram se tornando cada vez mais gráficos, até o ponto em que não era mais preciso nem digitar os comandos: bastava ir apontando os objetos na tela e escolhendo as ações, clicando em menus com verbos ou em ícones. Os jogos desta categoria mais conhecidos na década de 90 eram os da LucasArts, que fez história com seu primeiro adventure totalmente gráfico, o Maniac Mansion, depois seguido de pérolas como a série Ilha dos Macacos (quem tiver interesse em jogar essas pérolas hoje em dia, conheça o projeto ScummVM).
Ilha dos Macacos 2
E o que tem TRON a ver com isso? TRON foi um filme de ficção dos estúdios Disney lançado em 1982, o primeiro filme a usar extensivamente imagens criadas por computador. Claro que elas não se comparam nem de longe e com a luz apagada com os efeitos de hoje em dia, mas o mais interessante em TRON era a história: o protagonista era digitalizado e inserido dentro do sistema de um grande computador, entrando em um mundo ficcional onde os programas apareciam como pessoas, com pensamentos e emoções, e que era regido por mão de ferro pelo sistema operacional tirano, o MCP (qualquer semelhança com o mais moderno Matrix não deve ser mera coincidência…) Ainda hoje é um dos meus filmes preferidos, por mostrar parte do “mundo” com o qual convivo, como programador, como um mundo visível, fantástico e intrigante. Me chamem de nostálgico, mas eu prefiro a caracterização dos programas como entidades vivas em TRON às de Matrix…
Cena de TRON
Enfim, e daí com jogos adventures e TRON? Bem, eu estava lembrando de um e de outro, e daí lembrei de uma cena em TRON onde o personagem principal chega em uma cidade dentro do sistema, e vê um monte de “pessoas” vestidas de forma diferente que os outros programas, com roupas esquisitas, cheios de adereços… daí ele pergunta quem são aqueles caras esquisitos, e o outro programa responde “são bases de dados”. Quer dizer, no mundo de TRON até os arquivos seriam como entidades, só que com propriedades diferentes dos programas, e pelo visto menos ativos. E de repente pensei numa idéia… e que tal um jogo adventure (não precisa nem ser de texto, pode ser gráfico e em 3D mesmo), ambientado num mundo parecido com o de TRON, o interior de um sistema de computador, mas onde este jogo seria dinâmico, criado de acordo com o sistema que você está usando no seu computador, e até mesmo com os seus arquivos? Imagina só… você começa num grande salão que é na verdade o seu diretório de arquivos, o sistema te mostra uma grande sala chamada “salão principal” ou algo assim. O jogo escaneia os arquivos no seu diretório, alguns arquivos seriam selecionados para aparecerem como entidades vivas dentro do jogo… arquivos de texto e documentos seriam escaneados, e suas palavras seriam usados como diálogo pelas entidades respectivas. Arquivos de imagem seriam usados como elementos de decoração do ambiente, e de música como músicas e sons de fundo. Os subdiretórios seriam outras salas, seguindo as portas do salão principal se entraria nessas salas, que teriam portas para outros subdiretórios e por aí vai; para ganhar acesso a essas salas não bastaria simplesmente andar por elas, digamos que o acesso estaria barrado e você teria que interagir com as tais entidades para conseguir informações, ferramentas ou permissões para avançar no jogo. Agora, quanto ao que estas entidades desejam que você faça ou quais dificuldades elas impõem… isso seria baseado no tipo de arquivo, no conteúdo desse arquivo (seria mais fácil fazer isso com documentos de texto), de forma dinâmica e inteligente. A cada partida o jogo seria diferente, e completamente diferente de um usuário e de um computador para outro. Quanto ao objetivo do jogo eu não sei, mas certamente seria mais explorativo do que um jogo normal, quem sabe filosófico…
(em tempo: há alguns anos atrás um bom jogo em 3D foi feito baseado no filme TRON, chama-se TRON 2.0)


Gruta de Maquiné - MSX
Have you ever played an adventure game (also called interactive fiction)? They were among the first computer games, and even today there are some people who find these games fun. No need to say that they evolved together with the computer hardware, so there came to be adventure games with text and images, and even with only images.
To those that don’t know what I’m talking about: adventure games were played through typed commands. Think this: you’re playing a game where your character was in a room, so the game would print a message like this:

You are in a green room. There are a table in the center of this room and a jar on the table. There are a door to north and a corridor that goes east.

From here onwards, you could type the command east, moving your character through the corridor, so he would enter a new room and the game would print that new room’s description. You could also interact with the objects in the current room, with commands like get knife, open door, or put jar on altar. And this way one could play adventures that ranged from fantasy worlds to sci-fi to horror stories and action.
As the technology advanced, these games were upgraded with graphical capabilities, and become more and more graphical, until the point that one didn’t need even to type commands: just pointing and clicking the objects in the screen, and selecting actions in menus with verbs or icons. The most famous adventure games in the 90s were from LucasArts, which first totally graphical adventure game, Maniac Mansion, made it instantly world-famous. Maniac Mansion was followed by other fine games such the Monkey Island series. (if you want to play those old games in your computer today, please see the project ScummVM).
Monkey Island 2
…translate the rest later…
E o que tem TRON a ver com isso? TRON foi um filme de ficção dos estúdios Disney lançado em 1982, o primeiro filme a usar extensivamente imagens criadas por computador. Claro que elas não se comparam nem de longe e com a luz apagada com os efeitos de hoje em dia, mas o mais interessante em TRON era a história: o protagonista era digitalizado e inserido dentro do sistema de um grande computador, entrando em um mundo ficcional onde os programas apareciam como pessoas, com pensamentos e emoções, e que era regido por mão de ferro pelo sistema operacional tirano, o MCP (qualquer semelhança com o mais moderno Matrix não deve ser mera coincidência…) Ainda hoje é um dos meus filmes preferidos, por mostrar parte do “mundo” com o qual convivo, como programador, como um mundo visível, fantástico e intrigante. Me chamem de nostálgico, mas eu prefiro a caracterização dos programas como entidades vivas em TRON às de Matrix…
Cena de TRON
Enfim, e daí com jogos adventures e TRON? Bem, eu estava lembrando de um e de outro, e daí lembrei de uma cena em TRON onde o personagem principal chega em uma cidade dentro do sistema, e vê um monte de “pessoas” vestidas de forma diferente que os outros programas, com roupas esquisitas, cheios de adereços… daí ele pergunta quem são aqueles caras esquisitos, e o outro programa responde “são bases de dados”. Quer dizer, no mundo de TRON até os arquivos seriam como entidades, só que com propriedades diferentes dos programas, e pelo visto menos ativos. E de repente pensei numa idéia… e que tal um jogo adventure (não precisa nem ser de texto, pode ser gráfico e em 3D mesmo), ambientado num mundo parecido com o de TRON, o interior de um sistema de computador, mas onde este jogo seria dinâmico, criado de acordo com o sistema que você está usando no seu computador, e até mesmo com os seus arquivos? Imagina só… você começa num grande salão que é na verdade o seu diretório de arquivos, o sistema te mostra uma grande sala chamada “salão principal” ou algo assim. O jogo escaneia os arquivos no seu diretório, alguns arquivos seriam selecionados para aparecerem como entidades vivas dentro do jogo… arquivos de texto e documentos seriam escaneados, e suas palavras seriam usados como diálogo pelas entidades respectivas. Arquivos de imagem seriam usados como elementos de decoração do ambiente, e de música como músicas e sons de fundo. Os subdiretórios seriam outras salas, seguindo as portas do salão principal se entraria nessas salas, que teriam portas para outros subdiretórios e por aí vai; para ganhar acesso a essas salas não bastaria simplesmente andar por elas, digamos que o acesso estaria barrado e você teria que interagir com as tais entidades para conseguir informações, ferramentas ou permissões para avançar no jogo. Agora, quanto ao que estas entidades desejam que você faça ou quais dificuldades elas impõem… isso seria baseado no tipo de arquivo, no conteúdo desse arquivo (seria mais fácil fazer isso com documentos de texto), de forma dinâmica e inteligente. A cada partida o jogo seria diferente, e completamente diferente de um usuário e de um computador para outro. Quanto ao objetivo do jogo eu não sei, mas certamente seria mais explorativo do que um jogo normal, quem sabe filosófico…
(em tempo: há alguns anos atrás um bom jogo em 3D foi feito baseado no filme TRON, chama-se TRON 2.0)

2008, o ano em que faremos contato?

Pode ser coisa da minha cabeça, mas vejam só: primeiro, sai o Asus eee no mercado, atraindo as atenções de todo mundo (inclusive a minha… quero um 🙂 ). Daí saem um monte de análises sobre ele… uma belíssima máquina, vai preencher bem um nicho de mercado que estava sendo pouco explorado, coisa e tal. Beleza. Daí que um dos itens comentados sobre o equipamento é o bom uso que ele faz do Linux; um Linux bem adaptado, configurado, que roda rápido e de forma bem responsiva (link para análise do ArsTechnica). Nota para o detalhe de que a máquina aceita Windows XP, sim, mas pelos comentários da ArsTechnica, os consumidores devem continuar usando o Linux mesmo no aparelho, porque está rodando muito bem, obrigado. E então comentam da ausência da Microsoft no mercado de dispositivos móveis recentemente, como a Intel têm investido em Linux para dispositivos móveis, como a ARM também tem feito o mesmo, e como no ano que vem vários produtos com Linux embarcado estarão chegando no mercado. Resumindo, a indústria de hardware está se movendo com muita força na direção do mercado de dispositivos móveis (nenhuma novidade até aqui; esta tem sido a tendência dos últimos anos), e como todo hardware precisa de software para torná-lo útil, a escolha da indústria para SO tem sido, realmente o Linux (também, sem grandes novidades aqui).
Hmmm… no fim, a indústria de hardware, pelo menos de dispositivos móveis, está extremamente interessada em usar Linux.
Daí eu vejo esta outra notícia, sem relação como a primeira: tecnologia de fast-boot na BIOS para máquinas Windows. Cansado de esperar por vários minutos pelo boot do seu Windows? A Phoenix promete, através do uso de sua plataforma Hyperspace, que você vai poder rodar os aplicativos mais comuns rapidamente logo após ligar seu computador, sem precisar esperar pelo boot do SO inteiro. E o que isto tem a ver? Até onde consegui ler, este Hyperspace não tem nada a ver com Linux ou software livre. O que me chamou atenção foi esta parte da matéria:

Those problems don’t just entail slow boot times. At a basic level, they also have to do with Microsoft dictating user experience as a whole, regardless of what machine you’re using. In that vein, Phoenix says its HyperSpace platform could very well usher in a new era of ultrapersonalized PCs and laptops, even upending the way the industry does business.
“Historically, Windows has defined the machine,” Hobbs says, “and (manufacturers) can’t really do anything about that. Now, we’re giving them the ability to develop the machine in the way they want.”

Dá pra perceber o tom deste comentários: a indústria de hardware comentando que até então, o Windows definia a máquina, e o que os fabricantes podiam fazer com elas. E que eles, os fabricantes, querem sair de baixo desta influência.
Bom, dá para interpretar este último artigo de várias formas; novos rumos para a indústria de hardware para PCs, novos usos para BIOS de máquinas, o fato da Phoenix não estar (ou estar?) aproveitando o software livre para esta sua nova plataforma Hyperspace, e daí por diante. O que me chamou atenção nestas duas notícias aparentemente sem correlação – as análises do Asus eee e esta do sistema Hyperwave para BIOS – é o fato da indústria de dispositivos móveis estar pendendo com força para o lado do software livre, a ausência aparente de novas estratégias da Microsoft para este mercado, e este último comentário de fabricantes de PC querendo sair de baixo da influência dominadora da Microsoft (tá, o “dominadora” fui eu quem disse, mas o resto foi a Phoenix). As idéias combinam umas com as outras, ou é coisa da minha cabeça?
Bom, mesmo que seja: o fato é que pelo visto o Linux está entrando com os dois pés neste mercado de dispositivos pequenos e móveis, e por vantagens técnicas. O mesmo não tem ocorrido tanto com o mercado de desktops, mas será que um mercado pode influenciar o outro? Me lembro de 2004, quando todo mundo falava que “2005 será o ano do Linux no desktop”, e no fim das contas esta previsão não se concretizou – o Linux realmente continuou avançando no desktop, mas não no ritmo esperado/desejado pela indústria ligada ao mesmo ou pela comunidade. Enfim… como se fosse um dèja-vu, começo a ver notícias dizendo que “2008 será o ano do Linux no desktop”. Bom, se desta vez vai ou não vai, não sei dizer – pode ser que o ritmo de adoção continue lento, ou pode ser que eu me surpreenda. Espero. Mas, certamente, será o ano em que o Linux irá se tornar sim muito mais presente do que antes, mesmo para os usuários mais comuns, se não for através de seus desktops, será por uma invasão silenciosa em dispositivos que os usuários pouco costumam associar ao pingüim.

ODF ainda vivo

Retirado daqui e visto originalmente no Br-Linux: nos últimos dias têm circulado algumas notícias sobre o abandono por parte da OpenDocument Foundation ao formato ODF (formato aberto, usado pelo OpenOffice.org e BrOffice.org), sobre o formato “aberto” OOXML do Microsoft Office aparentemente estar ganhando terreno, entre outras coisas.
Pra começar, o artigo aponta logo de cara para o fato de que a tal OpenDocument Foundation não é a criadora do formato ODF, apesar do nome sugerir isso. O padrão é mantido pelo Consórcio OASIS. A tal OpenDocument Foundation não tem importância alguma no formato ODF.
Confesso que eu fui um dos que ficaram preocupados com as últimas notícias, mas depois desse artigo dá pra descansar sossegado. As notícias sobre a morte do ODF foram altamente exageradas.